segunda-feira, 31 de maio de 2010

Serramar Tour - 1º Dia

Segunda-Feira 24/5/2010

[14:00]

Iniciámos este simples encadeamento de pedaladas às 7:45 com partida no Vale da Arrancada, Chão das Donas. O Nosso primeiro destino seria Silves, ou até onde a nossa força e fôlego nos conseguissem levar.
Depois de transpormos a Ponte Velha de Portimão (desenhada pelo Eifell, o mesmo tipo da Torre) ás 8:00 pedalávamos directos ao Parchal e à mexilhoeira da Carregação.
Alguns problemas se seguiram com o esticador novo da bicicleta do Mike e, assim, esses mesmo esticador iria se queixando ao longo da viagem a caminho das fontes de Estômbar. Ou como o Mike disse: "Ek, o outro lado do rio.."
Silves esperava por nós, mas ainda íamos por caminhos frescos e cheios de vegetação. Passámos a Grande propriedade Mata Mouros pelas : ,mais terra batida e sempre com um rio Arade sereno, pequeno e atento à nossa pedalada.
Atento também estava o Castelo de Silves, que já nos avistava do alto do seu monte quando reparámos nós numa das casas mais singulares e com personalidade que alguma vez víramos. Um contraste único: o Castelo imponente, grandioso e empedrado numa margem e esta casinha pequena, colorida e viva do outro lado.
Passámos a Ponte Romana e pisámos Silves, onde estava repleta de vida às 10:00. Mercado cheio gente na rua, turistas de várias nacionalidades pisando cada pedra da calçada. Pisando o chão onde, outrora, gentes com vida muito mais simples e onde guerreiros e realeza pisaram. D.Sancho I nem sonharia que algum dia teria uma estátua em sua memória, não sonharia que que o seu nome fosse lembrado, entoado e ecoado na eternidade. Mas todos temos esse dom, não é algo reservado a réis e guerreiros, a celebridades e a estrelas. Cada um de nós pode e deve deixar a sua marca para que mais tarde alguém saiba onde estivemos e, mais importante que tudo, o que fizemos e quem fomos.
Saindo de Silves pelas : , e despedido-nos de quem entrava, tinhamos um caminho difícil que não esperávamos. Caminho com grandes altos e baixos (como existem na vida) e coube a cada um de nós agarrarmos em todas as nossas forças e atravessá-los. E assim foi, passado São Bom Homem ás 10:30 e uma pequena ribeira encontrámos montes que pareciam não acabar. Era puxar por cada músculo das pernas para nos fazer ir mais longe e mais alto. Tão alto que podíamos ver ainda melhor as nuvens do céu que, na cidade, nos parecem mais longe de nós.
O grande nortenho Bruno Araújo foi o grande Rei do Monte fazendo cada subida com destreza enquanto os cargueiros as subiam a pé.
Seguindo a Via Algarviana, por este trilho, encontrámos perdizes e coelhos até encontrarmos as tendas dos nativos americanos acampados no Algarve. Seria a propriedade da senhora "K" e do seu marido que nos deram indicações e água.
Seria o necessário para finalizarmos o trajecto da manhã pelas : para nos abastecermos de comida e combustível no bucho e esquecermos todas as barras de cereais, água e pós que ingerimos na viagem.
Seriam 14:13 e às 15:00 começámos nova etapa, próxima paragem: Monchique e Fóia (talvez)...

TROILOS DOS MOÇOS!!!!

[17:01]

Fazendo uma paragem para desmoer do almoço de comidas desidratadas em que o menu consistia em: púre de batata com queijo, empadão de carne, vitela com massa e as lulas cheias em lata ( um pitéu!).
A Via Algarviana entre Silves e Monchique consiste num trilho que, para quem não tem muita resistência, tem subidas exaustantes mas, apesar disso, contém as descidas rápidas e alucinantes em que só dá para se ouvir as pedras a fazer ricochete nos aros.
"A descer todos os santos ajudam" mas para o Grande Nortenho o ditado diz-se ao revés : " A subir todos os santos o ajudam". Em contra partida existem uns que só comem pó nas descidas.
A paisagem é das mais bonitas que já vi (apesar de não ter visto muitas) e apesar da grande desertificação populacional que encontrámos o que podemos tirar partida é da serenidade que se encontra pelo caminho e a simpatia das poucas pessoas que vemos.
Ouve tempo ainda para passarmos plo nosso amigo Varzea pelas : que estava por baixo dos Pardieiros, Fonte Santa, Foz da Barreira e a Barragem de Odelouca.
Avistámos Monchique e o seu pico da Fóia. Mas o seu destino até lá é de cariz seco e para quem não tem água toda a oportunidade para se hidratar é crucial.
Não há nada mais importante do que o Homem não se esquecer dos elos que o ligam à Natureza. Largar por vezes tudo o que tem para poder estar em comunhão com aquilo que está inserido no seu código genético. Toda a informação dos antepassados não deve ser esquecida mas passada. Para que ecoe e não caia em esquecimento.
Entre Cortes e Fornalha pelas : levantámo-nos e damos ao pedal. Mas há quem esteja bem é na cama.
Dizem-me que falta 12km (sempre a subir!)
Vamos lá, mama e não chora!! Incha Pacheco!!

Troilos dos Moços!!

[19:07]

"Afinal não fomos" diz o Mike. A estafa era tanta que decidimos fazer uma visita à "Idalina dos Frangos", para vermos o estado do presunto e se os frangos estavam no ponto.
Entre copos de cerveja e de água falasse do caminho que ficou para trás e do caminho que ainda existe pela frente.
Relembramos o olhar que Portimão nos fez às 18:40 como que a gozar connosco e com inveja por a termos deixado para procurar outras aventuras que ela não nos pode dar.
Enquanto enchemos a pança da gata com presunto comemos o combustível em forma de frango. Quando há fome tudo sabe bem, tudo tem outro sabor. Mas os frangos da dona Idalina são aconselhados e têm de ser provados em qualquer visita às Caldas de Monchique.
20:00 e ainda não sabemos se vamos a Monchique ou se ficamos por aqui.
Enfim, o frango estava bom tenho dito. Só sei que a conta vai para contabilidade da loja.! :-)

[21:50]

"À sorte marreca! Vocês deviam era leva umas ripadas!!". Foram as palavras do Sr. Amândio Duarte. Uma forma diferente de desejar boa noite depois de um dia fora do comum e da rotina.
Mais fora do comum foi o acampamento. Quando alguém acampa normalmente dorme na terra, junto ao chão. Pela primeira vez acampamos na: "PLACA"!! A tenda foi montada no telhado da garagem do Sr Amândio.
São horas de descansar o corpo, recarregar energias. Amanhã por volta das 8:00já devemos estar acordados e prontos para mais um dia. Marmelete espera-nos para uma visita de médico e em seguida recta feita para Sagres!!!

Texto de Cristiano Santos

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