segunda-feira, 31 de maio de 2010

Serramar Tour - 3º Dia

Quarta-Feira 26/5/2010

[10:55]

Por volta das 10:00 já o pessoal estava de pé e pronto pra fazer aquilo que faz melhor: encher o bucho. Muesli com cacau desidratado, um pitéu sim senhor!!
Agora é embalar as coisas e fazermo-nos à estrada.

[16:15]

Hoje vai ser um almoço lanchado...
Depois de termos deixado o Parque de campismo de Sagres pelas 12:30 decidimos abastecer os depósitos com água e de seguida visitar a plataforma de lançamento dos antigos navegadores (onde estes se preparavam para o desconhecido): A Fortaleza de Sagres.
Todos nós temos um pouco do espírito desses Homens dentro de cada um. O gosto e o desejo pelo desconhecido, por ver aquilo que nunca ninguém viu, ou por aquilo que ninguém quer ou consegue ver. Pensamos por vezes que o mundo já foi todo encontrado, que todos já descobriram tudo e nada mais resta para nós descobrirmos. Mas o que interessa é que descobramos coisas pra nós mesmos, que fiquem gravados os acontecimentos, lugares e tudo o que se passou na nossa memória. E que esses descobrimentos feitos por nós, masque já tinham sido descobertos, se mantenham vivos e mantenham o mesmo valor.
Depois desta viagem ao passado dos descobrimentos começamos a pedalar com a saída de sagres pelas 15:05 e tomámos pla Eco-via, que liga à Vila do Bispo, que estava no mesmo lugar onde a tinhamos deixado e fechamos a Raposeira pelas 16:00.
Pausa para mais batata em puré com queijo e sardinha de molho de tomate enlatada, águinha da boa e siga a marinha!
Mais pedalada a dar com um pau, espera-nos Budens de seguida.
Tá quase já estivemos mais longe!

Troilos dos Moços!!


[17:50]

Afianal Budens esperava-nos mesmo. Gostámos tanto que decidimos ficar mais um bocado mesmo contra a nossa vontade. Mesmo a seguir á entrada de Budens o Mike reduziu uma mudança para puder fazer mais facilmente a subida e o tão famoso esticador novo, que desde o início da vinha a se queixar, decidiu mesmo fazer greve e enrolou-se nos raios da roda, deu a volta e acabou por se partir, dizendo-nos que dali ninguém andava mais.
Eu chegava quase a bater no Mike, mas consegui desviar-me ainda raspando com o guiador na mão dele. Mas não houve danos físicos. Só danos materiais na bicicleta, e na carteira pois não é barato um estrago destes.
Incha Pacheco!!
Incha Porco!!
Agora resta-nos esperar pelo nosso carro vassoura: " O Nortenho Rei das Subidas". Ligámos para o Bruno Araújo, que não tem muito que fazer, para nos vir dar apoio. Esperemos que caiba todo o material no carro dele e nós também.

[21:34]

E assim foi...
Passados 3 dias estamos de volta à terra. Voltamos da forma que não tínhamos imaginado, nem sequer desejado. Acabar a volta sem chegar ao destino da mesma forma como o deixámos não tem o mesmo sabor. Parece que ficou tantas pedaladas por dar, ficou suor e energia por gastar. Ficaram metros e km's que mereciam ter sido queimados.
A volta, a viagem, completou o seu ciclo. Acabou como tinha de acabar, chegámos, (parámos) onde chegámos porque assim foi. E essa razão é aquela que move a maior parte das pessoas, dos animais, do mundo. Chama-se: estado incompleto. para que o mundo mova, e as pessoas principalmente, têm de sentir incompletas.
As pessoas vão às compras porquê?
Porque têm fome
E têm fome porquê?
Porque precisam de combustível para pôr a máquina que é o seu corpo a funcionar.
Logo sentem-se incompletas e nessecitam de preencher esse espaço para se sentirem melhor. As pessoas têm vários níveis em que sentem sempre incompletas e precisam de as preencher para que se sintam bem. Preencherem-se afectivamente, profissionalmente, interiormente até mesmo com elas próprias, etc.
É o que nos faz mover, é o estado de incompleto de cada um. E quando esse estado se encontra com a vontade então acontecem coisas incríveis. Deste modo esta volta deu-me razões para estar incompleto e a vontade que tenho dentro de mim diz-me que teremos de repetir esta volta de novo com os mesmos destinos. Essa foi a semente que foi plantada dentro de mim, para poder ir terminando e dando vontade para começar e acabar a volta com tudo feito como deve ser. Será a busca pela volta perfeita.
Adorei a experiência. Como disse temos de sair do sofá, sair de casa e andar por aí. Perder-se e encontrar-se. Mas não esquecer de partilhar a alegria da experiência com outros, fazer uma viagem com outros é um partilhar de aventuras, e cria laços, que é das coisas mais importantes ( como dizia a rapoza do Principezinho). E se a aventura fôr feita sozinho também é importante relatar o que aconteceu pois só assim podemos completar a aventura. Nas palavras de Christopher Mcandless: "A felicidade só é verdadeira quando partilhada". De que vale eu ter sido feliz nestes últimos dias se , porventura, não existisse quem pudesse ouvir plo que passei? De que valia se eu não pudesse essa felicidade passar aos outros?
Sai.
Viaja.
Descobre.
Vê.
E passa a palavra de tudo o que viveste.
Desde as 18:24, hora em que o Bruno nos veio buscar, que sinto que teremos de avançar pra uma volta igual como esta. Eram 19:30 já estávamos em casa, era hora de arrumar todo o arsenal e dar uns toques à bike, era hora de banho, encher o bucho e dar descanso aos pernis que, de tanto sol em cima, estavam tipo picanha. É hora de descansar estar com quem não viamos à horas.
É tempo de voltar.
Sei que vai demorar muito tempo para desmoer esta aventura. Vai demorar até as lembranças e a vivacidade se irem acalmando.
Mas quando essas lembranças e vivacidade se esfumarem só significa uma coisa: é Tempo de criar mais um destino, mais uma aventura.
Estarei há espera dela...

Texto de Cristiano Santos


Serramar Tour - 2º Dia

Terça-Feira 25/5/2010

[14:12]

Saindo do Norte e ainda digerindo o café com leite e as filhoses feitas pela avó do Mike, a D. Maria Teresa, seguimos pela estrada dos casais pelas 10:40 no sentido de Marmelete. Só saímos a estas horas porque só sabia bem era estar deitado na placa e as pernas ainda pesavam. Agora imagine-se se porventura tivessem os moços ido prá night de Monchique como havia uns que queriam ir.
Passámos ainda pela zona onde todos querem ir: Folga, eram sensivelmente 11:25. Faltavam 5 minutos para as 12:00 e já estávamos entrando no Concelho de Portimão e deixando para trás os belos perfumes suínos, de pinheiro e estevas que só a serra nos podia dar.
Entrámos em Pereira e seguimos para Arão. Eram 13:25 quando chegámos a Bensafrim, deixando para trás Cotifo e as Belas Colinas Verdes.
Parámos para meter combustível em frente ao Zoo de Lagos onde buscámos água no Restaurante "Cangalho" onde não esquecemos de deixar uma nota no livro de memórias. Mais uma vez temos comidas desidratadas mas ao contrário das lulas cheias em lata hoje há sardinha de molho de tomate que só o Cristiano é apreciador. Hoje há sobremesa: bolo de arroz com baunilha.
Há quem estaja bem mesmo é de papo pró ar e recarregar energias prá próxima fase. Temos Sagres à nossa espera desde que saímos de Portimão. E não podemos fazê-lo esperar mais.
Aqui vamos nós!
Troilos dos Moços!!!

[17:31]

Enquanto a "Casa de Pasto Rodrigues" espera pelas novas tecnologias do multibanco nós esperamos que o nosso destino esteja mais perto. Pelo menos ao ver carros com pranchas de surf só significa uma coisa: Mar! Passámos Budens pelas 17:00.
Se me tivessem dito o que iríamos encontrar como desafio diria que estavam doidos. Muitos km´s, muitas subidas, endurance. Em cada pedalada grito pela estamina que está dentro de mim e digo a mim mesmo para dar só mais uma pedalada a seguir à outra.
Coisa boa da aventura e do desafio é só sabermos o que nos espera quando estamos a vivê-la.
Tá quase!!!!

[22:24]

E já está!!! Conseguimos chegar ao destino apesar de algumas, mas boas, tormentas. Chegamos ao Parque de Campismo de Sagres pelas 18:30. "Check in" feito, tenda armada e lá fomos nós, visitar parte da vila. Comprar alguns mantimentos e "souvenires".
Um bom banho e encher o bucho, só faltava isso. O banho tirou-nos um grande peso de cima, assim como carradas de pó e suor que não faziam falta nenhuma. O jantar foi massas desidratadas do Continente e eram Tallaries Carbonara. São boas comparadas com as que temos vindo a comer até agora. Ainda enchemos o pandulho com sandes de chouriçao com queijo (feitas pelo senhor Bruno Araújo), tangerinas e torta.
Por volta das 22:30 o grupo ficou limitado a 2. O Nortenho Rei do monte teve de se ausentar da viagem por motivos que só ele sabe e só ele deve saber. Mas fica desde já o nosso agradecimento e um grande bem haja, pela presença, companheirismo, bom humor e apoio durante a volta.
Resta-nos dormir uma noite descansada e não pensar em mais dores de pernas. Amanhã só um destino está gravado em mente: Portimão!!! (e as nossas belas camas).
Mas entretanto metemos conversa com o vigilante do parque esperando que a bateria da câmara do Mike carregue. Ele tinha 2 baterias mas uma desapareceu, assim algumas das fotos foram tiradas pelo meu telemóvel. Temos os registos desta viagem para dar-mos provas a quem não acreditar nas palavras das histórias sobre o que aconteceu e sobre o que passámos.
Mas sobretudo melhor que ouvir as histórias, ver as fotos e filmes da viagem dos outros é sermos nós próprios a fazer a nossa própria viagem. Melhor é sermos nós a criar-mos a nossa própria história, ir por caminhos que desconhecemos e criar os nossos próprios caminhos por vezes. Uma coisa é vermos uma peça de teatro e por estarmos na plateia ninguém sabe quem somos ou o que temos para contar. Mas sendo o actor activo na nossa peça, na nossa própria história chegamos mais perto das pessoas pois deixamos de ser parte do mundo delas, deixamos de ser o espectador mas o visionado.
Cria a tua história.
Sai do sofá.
Sai da tua casa e da tua protecção.
Sai do teu casulo e perde-te por aí.
Mas acima de tudo: volta a encontrar-te quando te perderes.

Texto de Cristiano Santos


Serramar Tour - 1º Dia

Segunda-Feira 24/5/2010

[14:00]

Iniciámos este simples encadeamento de pedaladas às 7:45 com partida no Vale da Arrancada, Chão das Donas. O Nosso primeiro destino seria Silves, ou até onde a nossa força e fôlego nos conseguissem levar.
Depois de transpormos a Ponte Velha de Portimão (desenhada pelo Eifell, o mesmo tipo da Torre) ás 8:00 pedalávamos directos ao Parchal e à mexilhoeira da Carregação.
Alguns problemas se seguiram com o esticador novo da bicicleta do Mike e, assim, esses mesmo esticador iria se queixando ao longo da viagem a caminho das fontes de Estômbar. Ou como o Mike disse: "Ek, o outro lado do rio.."
Silves esperava por nós, mas ainda íamos por caminhos frescos e cheios de vegetação. Passámos a Grande propriedade Mata Mouros pelas : ,mais terra batida e sempre com um rio Arade sereno, pequeno e atento à nossa pedalada.
Atento também estava o Castelo de Silves, que já nos avistava do alto do seu monte quando reparámos nós numa das casas mais singulares e com personalidade que alguma vez víramos. Um contraste único: o Castelo imponente, grandioso e empedrado numa margem e esta casinha pequena, colorida e viva do outro lado.
Passámos a Ponte Romana e pisámos Silves, onde estava repleta de vida às 10:00. Mercado cheio gente na rua, turistas de várias nacionalidades pisando cada pedra da calçada. Pisando o chão onde, outrora, gentes com vida muito mais simples e onde guerreiros e realeza pisaram. D.Sancho I nem sonharia que algum dia teria uma estátua em sua memória, não sonharia que que o seu nome fosse lembrado, entoado e ecoado na eternidade. Mas todos temos esse dom, não é algo reservado a réis e guerreiros, a celebridades e a estrelas. Cada um de nós pode e deve deixar a sua marca para que mais tarde alguém saiba onde estivemos e, mais importante que tudo, o que fizemos e quem fomos.
Saindo de Silves pelas : , e despedido-nos de quem entrava, tinhamos um caminho difícil que não esperávamos. Caminho com grandes altos e baixos (como existem na vida) e coube a cada um de nós agarrarmos em todas as nossas forças e atravessá-los. E assim foi, passado São Bom Homem ás 10:30 e uma pequena ribeira encontrámos montes que pareciam não acabar. Era puxar por cada músculo das pernas para nos fazer ir mais longe e mais alto. Tão alto que podíamos ver ainda melhor as nuvens do céu que, na cidade, nos parecem mais longe de nós.
O grande nortenho Bruno Araújo foi o grande Rei do Monte fazendo cada subida com destreza enquanto os cargueiros as subiam a pé.
Seguindo a Via Algarviana, por este trilho, encontrámos perdizes e coelhos até encontrarmos as tendas dos nativos americanos acampados no Algarve. Seria a propriedade da senhora "K" e do seu marido que nos deram indicações e água.
Seria o necessário para finalizarmos o trajecto da manhã pelas : para nos abastecermos de comida e combustível no bucho e esquecermos todas as barras de cereais, água e pós que ingerimos na viagem.
Seriam 14:13 e às 15:00 começámos nova etapa, próxima paragem: Monchique e Fóia (talvez)...

TROILOS DOS MOÇOS!!!!

[17:01]

Fazendo uma paragem para desmoer do almoço de comidas desidratadas em que o menu consistia em: púre de batata com queijo, empadão de carne, vitela com massa e as lulas cheias em lata ( um pitéu!).
A Via Algarviana entre Silves e Monchique consiste num trilho que, para quem não tem muita resistência, tem subidas exaustantes mas, apesar disso, contém as descidas rápidas e alucinantes em que só dá para se ouvir as pedras a fazer ricochete nos aros.
"A descer todos os santos ajudam" mas para o Grande Nortenho o ditado diz-se ao revés : " A subir todos os santos o ajudam". Em contra partida existem uns que só comem pó nas descidas.
A paisagem é das mais bonitas que já vi (apesar de não ter visto muitas) e apesar da grande desertificação populacional que encontrámos o que podemos tirar partida é da serenidade que se encontra pelo caminho e a simpatia das poucas pessoas que vemos.
Ouve tempo ainda para passarmos plo nosso amigo Varzea pelas : que estava por baixo dos Pardieiros, Fonte Santa, Foz da Barreira e a Barragem de Odelouca.
Avistámos Monchique e o seu pico da Fóia. Mas o seu destino até lá é de cariz seco e para quem não tem água toda a oportunidade para se hidratar é crucial.
Não há nada mais importante do que o Homem não se esquecer dos elos que o ligam à Natureza. Largar por vezes tudo o que tem para poder estar em comunhão com aquilo que está inserido no seu código genético. Toda a informação dos antepassados não deve ser esquecida mas passada. Para que ecoe e não caia em esquecimento.
Entre Cortes e Fornalha pelas : levantámo-nos e damos ao pedal. Mas há quem esteja bem é na cama.
Dizem-me que falta 12km (sempre a subir!)
Vamos lá, mama e não chora!! Incha Pacheco!!

Troilos dos Moços!!

[19:07]

"Afinal não fomos" diz o Mike. A estafa era tanta que decidimos fazer uma visita à "Idalina dos Frangos", para vermos o estado do presunto e se os frangos estavam no ponto.
Entre copos de cerveja e de água falasse do caminho que ficou para trás e do caminho que ainda existe pela frente.
Relembramos o olhar que Portimão nos fez às 18:40 como que a gozar connosco e com inveja por a termos deixado para procurar outras aventuras que ela não nos pode dar.
Enquanto enchemos a pança da gata com presunto comemos o combustível em forma de frango. Quando há fome tudo sabe bem, tudo tem outro sabor. Mas os frangos da dona Idalina são aconselhados e têm de ser provados em qualquer visita às Caldas de Monchique.
20:00 e ainda não sabemos se vamos a Monchique ou se ficamos por aqui.
Enfim, o frango estava bom tenho dito. Só sei que a conta vai para contabilidade da loja.! :-)

[21:50]

"À sorte marreca! Vocês deviam era leva umas ripadas!!". Foram as palavras do Sr. Amândio Duarte. Uma forma diferente de desejar boa noite depois de um dia fora do comum e da rotina.
Mais fora do comum foi o acampamento. Quando alguém acampa normalmente dorme na terra, junto ao chão. Pela primeira vez acampamos na: "PLACA"!! A tenda foi montada no telhado da garagem do Sr Amândio.
São horas de descansar o corpo, recarregar energias. Amanhã por volta das 8:00já devemos estar acordados e prontos para mais um dia. Marmelete espera-nos para uma visita de médico e em seguida recta feita para Sagres!!!

Texto de Cristiano Santos